Compras nos EUA: A febre entre brasileiros

By | March 20, 2012

Saiba porque os EUA viraram um dos destinos preferidos de brasileiros que querem fazer compras gastando muito menos.

Camiseta da Nike: R$150. Tênis da Adidas: R$500. Câmera fotográfica profissional da Canon: R$5.500. Estes são os preços que tenho visto nos shoppings das principais cidades brasileiras. Tudo bem que são produtos de boa qualidade e de marcas famosas, mas será que é razoável pagar, por exemplo, quase 1 salário mínimo por um tênis? Ou 9 salários mínimos por uma câmera? Eu acho isso um absurdo e creio que outras pessoas também compartilham dessa opinião, principalmente aqueles que já foram aos EUA e conheceram a “outra” realidade.

Em setembro do ano passado, realizei um sonho de infância: Fui pela primeira vez à Disney passar as férias. Sabia que, por ser um destino turístico muito popular, iria encontrar pessoas das mais diversas nacionalidades, mas uma coisa que me chamou bastante a atenção foi a quantidade de brasileiros que se encontrava em todos os lugares: nos parques, restaurantes e, principalmente, nos famosos outlets (lojas de liquidação que vendem coleções passadas).

Até certo ponto, eles lembram a 25 de Março, com tantas pessoas falando português e carregando sacolas e mais sacolas de compras em um ritmo eufórico. Uma pesquisa que foi divulgada recentemente (mais detalhes clique aqui) mostra que os brasileiros gastam, em média, US$5.918 nos EUA, ficando atrás apenas de turistas japoneses e britânicos. Não é a toa que, recentemente, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que irá facilitar a concessão de vistos para brasileiros.

Mas qual o motivo dessa gastança descontrolada? A resposta é simples: temos muito mais poder de compra nos EUA do que no Brasil. Quando comparamos os preços de diversos produtos entre estes países, chegamos a uma conclusão chocante e, por vezes, revoltante: no Brasil, pagamos muito mais caro pelo mesmo produto. Muito mesmo!

Você se lembra do tênis da Adidas que mencionei e que custava R$500 nos shoppings brasileiros? Pois bem, comprei este mesmo tênis nos outlets dos EUA por US$65. Considerando o câmbio de US$1 = R$2, o valor seria equivalente a R$130. Pagamos, no Brasil, quase 4 vezes mais!

Na minha câmera profissional, paguei US$900 o que equivale a R$1.800 (ou 3 salários mínimos). A mesmíssima câmera nas lojas do Brasil custava R$5.500, “apenas” 3 vezes mais!

A distorção foi mais marcante no caso da camiseta da Nike. Enquanto que no Brasil vi por R$150, nos EUA comprei 2 por US$25 (ou R$50). Não eram exatamente do mesmo modelo, mas eram bastante similares. Neste caso, no Brasil, o preço da camiseta é 6 vezes mais caro!

Diante de todos esses exemplos, temos que reconhecer que, apesar de haver sim uma certa dose de gastança descontrolada, os brasileiros estão certos quando fazem as compras, às vezes, do ano (ou dos próximos anos para os mais gastadores) nos EUA, pois é onde o mesmo dinheiro permite comprar mais e melhor.

Mas ir aos EUA não é coisa de “gente rica”? Já foi há alguns anos, mas hoje não é mais por diversos motivos: câmbio favorável, aumento da renda das famílias, parcelamento das passagens e pacotes turísticos, etc. Foram muitas as pessoas que encontrei lá que afirmavam ter empregos mais simples e que estavam aproveitando o dia inteiro de compras.

Gostaria de finalizar este post esclarecendo um ponto: não me interpretem mal, não sou a favor da desindustrialização do Brasil, mas quando há distorções de preços tão gritantes que afetam bastante o nosso bolso, é natural que procuremos alternativas que maximizem o recurso escasso, neste caso, o dinheiro.

Teoria básica da Economia!

 

Foto: Dreamstime

 

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