Não confunda competitividade com falta de respeito

By | September 5, 2012

Algumas empresas são famosas (na rádio-peão) por terem um ambiente extremamente competitivo em que, aparentemente, vale quase tudo para alcançar as metas.

No início dessa semana, li esta matéria da Exame e, para ser sincero, não fiquei nada surpreso com o ocorrido porque meses atrás já tinha visto esta outra reportagem e, voltando mais ao passado, me lembrei desse caso e de muitos outros.

Pode ser apenas uma coincidência (será?), mas quando surgem tantas reclamações e processos judiciais movidos por ex-funcionários que alegam terem sido vítimas de humilhação e assédio moral, é provável que algo esteja errado.

Não sou consultor de RH e nem psicólogo, mas ouso dizer que sei qual é o problema e sinto que é mais comum do que imaginamos: As pessoas confundem competitividade com falta de respeito.

Infelizmente, muitos deixam a boa educação de lado e acabam falando demais com a justificativa de ser um relacionamento profissional. Comentei um pouco sobre isso no artigo É possível separar o lado pessoal do profissional?.

Não há nada de errado em ser uma pessoa mais competitiva, em querer ganhar e ser melhor do que os outros, mas isso não lhe dá o direito de tratá-los como se fossem robôs, sem sentimentos, sem vida pessoal, sem valores e crenças etc.

É nesse ponto que muitos pecam, pois acreditam que ser competitivo é sinônimo de tratar mal, criticar de forma destrutiva e de humilhar os outros.

Não posso afirmar com certeza se as situações descritas na reportagem de fato ocorreram (apesar da minha intuição dizer que sim), mas de uma coisa não tenho dúvidas: Quando alguém obriga um funcionário a fazer algo que contraria a sua religião e valores ou até mesmo impõe punições que comprometem a sua integridade física e moral, saímos do âmbito da competitividade e entramos no perigoso lado da falta de respeito, em que não há regras e nem limites.

Eu, pessoalmente, estou cansado de escutar os mesmos clichês como “O nosso foco são as pessoas” ou “O capital humano é o nosso bem mais precioso” porque, basicamente, todas as empresas falam isso. É a mesma coisa que falar em uma entrevista que o seu defeito é ser perfeccionista.

Agora, uma pergunta que eu faço é: Quantas empresas realmente aplicam esse discurso dentro do ambiente de trabalho, como se fosse uma filosofia de vida que deve ser preservada à todo custo? Quantas empresas colocam os seus valores e a sua cultura acima de qualquer cargo e salário?

Eu sou daqueles que acredita que uma atitude vale mais do que mil palavras. Não é necessário ficar ressaltando nas mídias sobre as técnicas avançadas de gestão de pessoas que a empresa utiliza. Se ela realmente valoriza as pessoas e faz de tudo para preservar um ambiente competitivo e, ao mesmo tempo, saudável à um ser humano (e não robô), os primeiros a fazerem questão de divulgar isso serão os próprios funcionários.

 

Foto: FreeDigitalPhotos.net

 

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